Como se pode Reeducar na Forma como Comunica com os seus Filhos ?
As recentes pesquisas na área da Inteligência Emocional têm mostrado que, tão importante quanto as habilidades lógicas e exatas para o sucesso e a realização de um ser humano, são as habilidades Emocionais.
Alguma vez ouviu falar nas Emoções?
O sucesso e a saúde dos nossos relacionamentos familiares, de amizade, no ambiente de trabalho e na comunidade em geral, dependem das habilidades para lidar com as emoções e expressá-las de maneira clara e coerente.
O que É uma Comunicação Clara, Coerente e Equilibrada?
Saber como agir diante de desafios e conflitos, ser capaz de aproveitar ao máximo os momentos de alegria e felicidade, cultivar um estado interior de maior tranquilidade, desenvolver um olhar empático diante da vida, ser resiliente. Essas são competências da Inteligência Emocional.
O que nos mostra a Ciência?
Salovey e Mayer, teóricos da Inteligência Emocional, dividiram-na em quatro domínios:
- Percepção das emoções - identificar sentimentos e variações emocionais em si e nos outros
- Uso das emoções – utilizar as informações emocionais para facilitar o pensamento, o raciocínio e as ações.
- Entender emoções - captar e compreender de maneira mais complexa as variações emocionais nem sempre tão evidentes e claras.
- Controle (e transformação) da emoção - lidar com os próprios sentimentos e gerir as reações emocionais de forma adequada.
Mas como isso se aplica na infância e no dia a dia dos nossos filhos e alunos?
Por muito tempo, ao longo da nossa história, não olhamos para a infância e o universo das crianças. A curiosidade acerca do desenvolvimento infantil é recente, assim como as teorias e estudos científicos acerca do tema.
Atualmente, já se sabe que, bebês e crianças são capazes de sentir as mesmas emoções que um adulto - entretanto, não sabem ainda como perceber, rotular, compreender e gerir tais emoções.
Com o cérebro ainda em amadurecimento, as crianças aprender e desenvolver essas habilidades tanto quanto aprendem e desenvolvem as habilidades motoras e cognitivas. Este processo de aprendizagem pode ser chamado de Alfabetização e Literacia Emocional e conta com os adultos cuidadores atuando como tradutores e facilitadores dessas habilidades.
Como cuidadores, esperamos que as crianças aprendam a lidar com as frustrações, resolver seus conflitos, sejam cada vez mais autónomas e capazes de construir relações saudáveis e por vezes, esquecemos que a ponte para essas habilidades é feita através da forma que os adultos se relacionam com elas.
Uma etapa importante da Alfabetização e Literacia Emocional é ajustar as expectativas adultas às habilidades e maturidade das crianças.
Uma criança de sete anos, por exemplo, apresenta uma maturidade cerebral diferente de uma criança de três anos.
As habilidade de identificar, rotular e compreender as emoções, são organizadas, pouco a pouco, na interação social. Sendo assim, quanto mais oportunidades de socialização, quanto mais variadas forem essas interações, mais oportunidades as crianças terão de praticar e aperfeiçoar as habilidades da Inteligência Emocional.
Situações do dia a dia são excelentes oportunidades de auxiliar as crianças a identificar e nomear o que sentem.
Perguntar coisas alegres e tristes que aconteceram durante o dia, nomear a raiva que a criança sentiu ao não poder fazer algo que gostaria, os ciúmes que sentiu por compartilhar a atenção dos pais com os irmãos, etc.
Quando falamos em Educação Emocional, falamos em facilitar às nossas Crianças um entendimento, uma maior compreensão sobre elas mesmas.
Identificar sentimentos é aprender mais sobre si mesma. Incentivar as crianças a expressarem o que sentem aumenta o seu senso de segurança, confiança e pertencimento!
Outro passo da Literacia e Alfabetização emocional é aprender o que fazer com o que sentimos e como regular a nossa resposta emocional. É possível deixar que a Criança expresse as suas Emoções livremente, dentro dos limites seguros para ela e para outros.
Cabe ao adulto guiá-la e apoiá-la nesse Processo, SEM A REPRIMIR ou REPREENDER, mas mostrando formas mais assertivas de lidar com os sentimentos.
Por exemplo, durante um momento de raiva ou frustração, podemos ensinar a criança a nomear o sentimento, respirar lentamente até a sensação diminuir e, depois, lidar de maneira adequada com a situação que despertou o que ela sentiu.
Nenhum sentimento é, por si próprio, bom ou ruim, adequado ou inadequado. Na nossa vida, há lugar para todos eles!
Sejam Emoções de Medo, Alegria, Tristeza ou Raiva, se a Criança SENTIR que tem espaço e abertura para se expressar sempre que for necessário, a sua relação com os pais e com o Mundo, pode começar a FLUIR de uma forma Alegre e Natural.
Lembramos que, para ser um bom tradutor do mundo das emoções e conseguir acolher de maneira adequada os sentimentos das crianças, é necessário que os Adultos também saibam lidar com as suas emoções!
A Literacia Emocional é uma habilidade e como qualquer outra, pode e deve ser aprimorada ao longo da vida!






