CRONICA

Crónicas em torno de Economia Quântica

 

Esta semana passando os olhos numa vitrina surpreendeu-me a frase estampada: “o trabalho e o lazer coexistem muito melhor do que alguma vez sonhamos”. Curiosa, cravei os olhos na vitrina e percebi que tal vinha a propósito do bulício que dentro de uma sala de 15m2 se sonha dia após dia. Um grupo de amigos cria a sua empresa, apostado em organizar momentos de lazer, espaços de convivência plena. Um grupo que, na procura do reencontro com a sua própria essência, quer marcar a diferença e afirmar um sonho.

“É só pensar e fazer acontecer”. Um almoço entre antigos colegas? Uma caminhada para quem gosta de caminhar? Um retiro na montanha para saborear a paisagem e meditar? Jogar ao peão no jardim? Tocar bombos e pandeiretas? Ouvir a obra completa de um poeta? Correr na areia, à beira-mar? Molhar os pés na água da chuva que sai pelas caleiras? Pisar as folhas secas do outono?

De tudo se pode criar um ambiente de lazer, um espaço de não trabalho, um laçar de afetos, um hino à alegria, momentos sublimes, de transcendência!

Temos a responsabilidade de preservar as possibilidades que queremos realizar e de criar ligações enriquecidas com a natureza universal de que fazemos parte, para aumentar o alerta para a satisfação integral das nossas necessidades e dos nossos desejos. E é nestes espaços de convivência plena, onde as crenças, as fronteiras, as etnias, não existem, nem em nada interferem com a nossa energia que melhor aprendemos a lidar com as adversidades do dia-a-dia.

Nestes minutos de elogio ao lazer em que deixamos explodir sentimentos, rimos, porque sim, choramos, porque sim, quando pensávamos que já não sabíamos rir, nem chorar. Trocamos ideias, propósitos, conhecimentos, amizades, com o mesmo desassombro e a mesma entrega com que uma criança corre no jardim e se rebola na relva.

O lazer é tão importante como o trabalho. É a melhor forma para aprender o que não se escreve em nenhum currículo, para desfazer os fracassos que se manifestam e não se entendem, para gerar oportunidades de transformação. São momentos para a superação de cada obstáculo que nos desafia no dia-a-dia. Momentos de libertação!

E aqui chegamos à nossa reflexão sobre economia quântica!

A atividade económica gera riqueza, sim, mediante a extração, transformação e distribuição de recursos naturais, bens e serviços. Tem como objetivo a satisfação de necessidases humanas, como educação, alimentação ou a segurança, mas a satisfação dos desejos e dos sonhos também. Diria que a atividade económica dá sentido ao nosso ser, afirmando o propósito e a missão de cada um nesta infinidade de possibilidades que é o ambiente quântico.

O trabalho não faz sentido, não pode ser considerado se, apesar de ser eficiente nos seus processos internos, tiver pessoas insatisfeitas, desmotivadas, desintegradas dos ambientes desse labor.

Inspirados pelos ensinamentos da Ciência Quântica, trabalhemo-nos a nós próprios, ajudemo-nos a recuperar os caminhos de empoderamento e de ânimo, para fazermos as melhores escolhas e edificarmos o nosso próprio destino. Para evoluirmos na recreação dos processos de criação.

Cada um de nós tem em si a porta da transformação, a porta que se abre para a construção de um mundo melhor. Que concebe as manifestações da realidade universal!

Para isso, libertemo-nos! Tornemo-nos mestres da nossa missão no mundo. Exercitemos a atenção e o estado de alerta incondicional. Aproveitemos a plenitude dos momentos de lazer, para orientarmos a nossa energia e refazermos o nosso ser pleno. Aproveitemos os momentos de não trabalho para nos reforçarmos.

E a produção, vai fluir, vai-nos surpreender! E o trabalho vai ser uma oportunidade evolutiva, porque afirmará o seu sentido que é a missão de cada um de nós na criação de ambientes enriquecidos pelos detalhes da essência e cada um.

 

Manuela Coutinho 

Palestrante no 1º Simpósio de Medicina Quântica, Saúde e Qualidade de Vida 

 

 

 

Manuela Coutinho

 

MANUELA COUTINHO

Inicia o seu percurso profissional em Abril de 1981, numa Misericórdia, onde trabalhou com crianças institucionalizadas, por questões de perigo social, até janeiro de 1989. A sua intervenção vocacionava-se para um trabalho de vinculação e fortalecimento de laços de parentalidade, orientados para a construção de projetos de vida que lhes proporcionassem um futuro saudável e de cidadania plena.

Em Março de1989, ingressa na Segurança Social, trabalhando no setor da Ação Social, com intervenção direta na comunidade, na organização e desenvolvimento de projetos sociais e na criação de Redes Sociais concelhias.

Desde essa data o seu percurso foi complementado por uma pós-graduação, mestrado e doutoramento (como acima descritos), tendo por vários períodos exercido docência e investigação no ensino superior.

Desde então vocacionou-se para a temática da Economia Social. Foi este trajeto entre a experiência prática de intervenção social e a investigação que fez despertar um outro olhar sobre a vida em comunidade e o ambiente humano, razão porque no pós doutoramento desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil,trabalhou sobre a capacitação das comunidades para se envolverem no seu próprio desenvolvimento. Despertou para novas lógicas de economia, trabalhando o conceito de “pedagogização da economia” e o “índice de vitalidade para a requalificação urbana”, refazendo perspetivas sobre a gestão e a vitalidade humana das cidades.

Mais recentemente (final de janeiro, início de fevereiro/2016) deslocou-se a Cabo Verde, numa missão, enquanto formadora no domínio da Proteção Social e da Assistência Social, a convite do PNUD e do Ministério da Juventude e da Solidariedade de Cabo Verde.

O contacto com novas realidades e novas dinâmicas culturais foi sempre fundamental para o respeito pelas pessoas e a dignidade humana.

Está também envolvida na Rede Internacional Together, enquanto membro e dinamizadora internacional, desde 2013. A Together é uma uma rede que apela à corresponsabilização de todos (atores, grupos, cidadãos) para o bem-estar social, através de projetos e de troca de experiências.

Foi na senda das apostas profissionais e de investigação e agora recentemente no contacto com o Instituto Anna Mikki, com cuja Missão e Propósitos se sente identificada, que decidiu abraçar um novo desafio para a construção de novos paradigmas de desenvolvimento humano, através da Economia Quântica.

 

 

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